sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cereais e biocombustíveis


Verdadeiramente preocupante a evolução dos preços nacionais e internacionais dos cereais.

Arroz, trigo, milho, soja, girassol e outros. Componentes essenciais da dieta alimentar dos povos, ricos e pobres.

Preocupante o seu impacto negativo na ajuda aos pobres dos países menos desenvolvidos, em especial da África, dada a escassez da oferta disponível. Não só a elevada procura para o consumo alimentar mas de igual forma para a produção dos biocombustíveis (em especial do biodiesel) são alguns factores desta escalada.

Preocupante e determinante para um certo equilibrio social. Se por um lado põe em causa a estabilidade social (crispação pela degradação do nível mais básico da vida - a alimentação e o sustento básico das familias) por outro lado põe já em causa a validade dos modelos de produção energética alternativa através dos biocombistíveis. Como será o desenlace desta questão?

terça-feira, 4 de março de 2008

Talento em Portugal


Está na ordem do dia falar-se em talento, na retenção de talento ou na identificação e recrutamento de pessoas com talento. Talento passou recentemente a fazer parte do léxico de muitos empresários, gestores, políticos ou outros opinion makers.

É bonito e importante falar em talento. Para se parecer talentoso. Se calhar é até chic ou muito in falar daquele de uma forma sofisticada como sofisticados parecem ser aqueles que são possuidores de talento. Claro são talentosos!

Mas exigir talento ou pessoas talentosas não passa de uma falácia e hoje em dia de um lugar comum. Quem são os talentosos? Nós? Eles? Quem somos nós? E quem são eles? E o que é o talento? Formação? Experiência? Atitude? Capacidade inata de fazer algo melhor e com mais competência a um nível de qualidade e eficiência que outros não conseguem? Ou o fenómeno da simples cunha? Talvez importasse definir claramente o que se entende por talento.

Seria igualmente relevante perceber porque se fala hoje tanto em talento? Dão os empresários apoio ou oportunidades aos talentosos? Aos jovens licenciados de elevado potencial, mediante a oferta de empregos qualificados e remunerados na justa medida? Àqueles que são ou podem vir a ser verdadeiramente talentosos? Oferecem-lhes boas expectativas de carreira, possibilidade de afirmação e realização pessoal e perspectivas de evolução, amadurecimento pessoal e profissional? Capacidade de virem a ter uma vida própria? Se sim, porque observamos então uma fuga sistemática e preocupante destes jovens talentos lá para fora, onde, por exemplo na Espanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda ou EUA os recebem, talentosos, de braços abertos? Colocando a sua sabedoria e talento ao serviço das concorrentes instituições europeias e de outras partes do mundo?

E que dizer daqueles licenciados, profissionais de diferentes áreas, que já deram prova do seu talento e experiência que neste momento se encontram na fila do desemprego porque os talentosos empresários resolveram por em prática com algum talento programas de downsizing das suas empresas de modo a manterem só para si os seus talentosos resultados?

Ou será que quando falam (e se fala) em talento apenas se pretende fingir que se fala dos outros não se pretendendo outra coisa que não seja demonstrar e exprimir com uma vaidade subentendida que talentosos são eles (somos nós) porque, claro está, só exigem e procuram os serviços dos talentosos? Complexo não?

É extraordinário que num país como Portugal onde as carências em termos de conhecimento, formação e talento são tão vincadas, assistamos ao fenómeno de sujeitarmos mais de 65 mil licenciados ao desemprego. E que empresas em áreas tecnológicas nos digam que têm que recrutar centenas de jovens talentosos noutros países uma vez que estes não existem em Portugal. Quem sabe ainda algum destes jovens e talentosos emigrantes terá a sorte de ser recrutado na Alemanha ou na Holanda como jovem talento para trabalhar em Portugal.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Portugal paladino da energia das ondas


Portugal prepara-se para inaugurar o primeiro parque comercial de energia das ondas, capaz de fornecer energia não poluente a 350 mil casas. Este é o artigo recente da revista Construção & Negócios.

O investimento rondará os 9 milhões de euros e poderá fornecer energia para 6.000 habitantes numa primeira fase, prevendo-se a instalação de 5.000 MW até 2020. Segundo a ENERSIS, este projecto representa "montar o primeiro parque de energia de ondas no mundo". Esta entidade conta ter em funcionamento já em 2008 cerca de 30 máquinas (serpentes marítimas) para a produção de energia renovável.

Mais uma vez vemos o país no dominio de tecnologia de ponta e no topo da inovação. É um exemplo do que de positivo se pode construir com engenho e arte. Portugal é de facto um país com condições únicas e por isso excepcionais para investir, tratar e rentabilizar alguns tipos de energias alternativas.



sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Promoção Internacional


Tem sido polémica a última campanha internacional de promoção além fronteiras da marca Portugal. Confesso que penso que não começa muito bem. Diria que revela pouco crer e confiança no que é verdadeiramente a força e os símbolos nacionais.

Em primeiro lugar confia a marca e a sua promoção a um Nick Knight (sabem quem é?) suposto ícone internacional da fotografia recusando logo o recurso a um profissional nacional. Parece então que iremos à boleia de tal ícone, o que nos favorece, recebendo o prémio daquele fotografar os nossos ídolos e de os (nos) guiar por esse mundo fora.

Depois, confesso que tenho alguma dificuldade em descortinar o que os Outdoors pretendem verdadeiramente representar: que mensagem? Somos um país de heróis (maioritariamente desportistas) e de pessoas com valor? Apenas isto?

Que valores? Modernidade (são todos jovens)? Ousadia? (só se for o Mourinho).
A West Cost, representa, talvez, a mensagem mais acertada e mais feliz. Pretendemos surgir como um país com características geográficas e climáticas como a Califórnia (em vez do Sul da Europa – periféricos – antes a costa Oeste dessa Europa). Mas então imagem nenhuma representa, reforça e evidencia a força da natureza, das paisagens, do clima, da paz e qualidade de vida do país. Forçamos demasiado a mensagem em ídolos do desporto. Então a cultura? A literatura? A ciência? A gastronomia? As novas tecnologias? Afinal o que pretendemos é afirmar um Portugal moderno e inovador, ou não será?

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Os Desafios do Comércio Marítimo


Quando 40% do tráfego europeu é feito por via marítima e o porto de Sines regista o terceiro maior crescimento europeu em termos da carga de contentores (cresceu 139,2% em 2006) é chegada a altura de Portugal apostar e investir com muita insistência no sector portuário e tornar o país um forte interventor no transporte marítimo europeu.


Trata-se de um sector que exige investimentos financeiros de grande envergadura mas que justificam uma aposta estratégica ou não fosse Portugal um país com a maior Zona Económica Exclusiva da Europa e tão forte componente insular.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

2007 - Excelente ano turístico


Agosto foi o melhor mês de sempre para o turismo português na visita de estrangeiros.

Esta era uma notícia recente de um jornal diário nacional, suportada por dados do Banco de Portugal. De facto as receitas turisticas ultrapassaram em Agosto mil milhões de euros, o que nunca antes se verificara. Estas receitas cresceram 10,5% em Agosto face ao mês homólogo do ano de 2006. O crescimento médio das receitas deste ano foi de 12%. Outros meses viram estas receitas crescer a dois dígitos exceptuando Maio (8,6%) e Julho (9,7%).

As receitas do turismo atingiram 4.930 milhões de euros desde Janeiro o que corresponde a um acréscimo de 520,3 milhões de euros nos 8 meses que decorreram até Agosto. A manter-se este cenário, Portugal está assim no bom caminho quanto à estratégia nacional para o turismo. Os resultados aparecem.

Pretende-se contudo que esta estratégia seja sustentada por medidas claras e coerentes de projecção internacional da imagem e da marca Portugal, suportadas por uma organização interna coerente, eficiente e despolitizada das instituições (demasiadas e diversas) que actuam neste vector importante da economia portuguesa.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Portugal e o Mar


O Presidente da Republica, Cavaco Silva, defendeu há dias a necessidade de Portugal apostar e desenvolver uma politica virada para os assuntos do mar. Penso que defendeu e bem esta ideia porque o país precisa, o país pode e o país deve.

São inúmeras as boas oportunidades que uma estratégia virada para os assuntos do mar pode proporcionar a Portugal. E não é só o aproveitamento do sol e das praias, do turismo e da imagem de um país de belezas naturais atlânticas. É também a indústria pesqueira, com a riqueza e variedade de espécies piscícolas que se conhecem e que pode ainda transformar-se num cartão de visita para o exterior, a imagem da nossa história de país de navegadores e que deu novos mundos ao mundo (um grande legado histórico) para além do aproveitamento energético potencial (futuro) com a energia das ondas.

Mas é também uma política de portos consentânea com uma estratégia comercial marítima que importa desenvolver e projectar. Aproveitando uma posição geoestratégica que pode ser determinante para a afirmação de Portugal no mundo.

Lisboa viveu muitos anos de costas voltadas para o Tejo. Que o país não viva de costas voltadas para o mar.