quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Um clima social difícil um novo paradigma social


Não pode nem deve ser desvalorizada a situação vivida na Grécia com as manifestações de violência que têm ocorrido nas ruas da capital e do país.

Não se tratam de manifestações por parte das classes baixas e desfavorecidas do país. São antes provenientes da classe média e média alta, as quais vivem num clima de total desalento, total descrença, falta de perspectivas de vida, com salários em desvalorização, com o agravamento do custo de vida e aumento do desemprego.

Dizem nas entrevistas que não esperam mudanças no ensino, nos programas ou nos professores. Querem antes mudar de vida. Mudar a sua vida.

Estes movimentos de instabilidade social, são um sinal negativo e preocupante do estado social de uma Europa em crise financeira, económica mas também social.

Espera-se em Portugal por um verdadeiro sentido de cidadania, de coesão social, encerrando numa caixa o sentimento de crispação vivido entre as pessoas. Para combater o desalento sentido. E que o Estado actue socialmente. Focalizado nas pessoas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O verdadeiro Timoneiro


É o que necessitamos. De ousadia e talento, a sério. Para ser proactivo, motivador, enérgico, competente.

Desafiador, com visão de longo prazo, não de vistas curtas. Capaz de incentivar, de orientar, de demonstrar e capacitar. Capaz de ouvir, reflectir e decidir.

De deixar o team evoluir, dar de si o melhor, ter confiança e conquistar. Permitir que o team se liberte e que consiga voar. Sobre o seu olhar, sobre a sua orientação.
Justify Full
É assim mesmo. Ser competente e ter talento é permitir que os seus o tenham, se afirmem e o afirmem.

É o que muitas vezes nos falta. Saber estar e orientar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Vento e o Mar


Vide
Vide ver o vento que oculta o verde do mar

Vide
Vide ver o vento que nos leva a navegar

Vide
Vide ver o vento que nos trás a tempestade

Vide
Vide ver o vento que circula pelo ar

Vide
Vide ver o vento que gera as ondas do mar

Vide
Vide ver o vento que nos leva a naufragar

Vide

Vide ver o vento que nos poisa noutro lugar

Vide

Vide ver o vento

Que esvoaça

Além mar

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Talento em Português


Este sim é o verdadeiro talento português. Nelson Évora e Vanessa Fernandes. O nosso ouro e a nossa prata. Atletas olímpicos. Os melhores de entre os melhores. Estes que muitas vezes passam ao lado das luzes da ribalta.

Fruto do seu esforço, dedicação, trabalho e profissionalismo. Num país tão relativamente pequeno em população, daqui saíram dois campeões. Esta é a relação que temos que estabelecer. Somos apenas 10 milhões, contra os 1,3 mil milhões de chineses, 180 milhões de brasileiros, quase 300 milhões de americanos ou 40 milhões de espanhóis. Só para dar alguns exemplos.

Mas estivemos lá e ganhámos. Parabéns aos campeões e parabéns a Portugal. E mais uma vez, esqueçamos os que tentando, falharam. Apoiá-los sim, para sustentar futuras vitórias.

Viva Portugal.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Cooperação para o Desenvolvimento - Que ajuda?


Ajuda ao desenvolvimento em risco

Este era o título de um artigo recente publicado no Semanário Económico e que concluía que os dados sobre a ajuda ao desenvolvimento publicados pela OCDE eram desoladores. Segundo aqueles dados os principais países doadores – UE, EUA, Canadá e Japão – não conseguiram dar cumprimento aos seus compromissos financeiros de combater a pobreza no mundo e proporcionar um futuro melhor a milhões de homens, mulheres e crianças.

Segundo o mesmo artigo, os números da ajuda ao desenvolvimento em 2007 ficaram muito além dos objectivos fixados. No ano passado a parte de ajuda pública ao desenvolvimento concedida pela UE em relação ao rendimento nacional bruto, diminuiu de 0,41% para 0,38%, quando os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio definiram até 2015 que esta deveria atingir os 0,7%.

Significa que em 2007 cerca de 1.700 milhões de euros foram doados a menos, o que teria permitido tratar milhões de crianças, dos 11 milhões que morrem anualmente por falta de cuidados de saúde, para citar alguns exemplos.

E a crise alimentar provocada com o aumento dos preços dos bens alimentares em especial dos cereais e do arroz, certamente irá agravar este estado de coisas. Um problema que pôs já em risco o Programa Alimentar Mundial. Um problema preocupante que a todos nos deve merecer uma reflexão, e, mais do que isso, alguma acção.

Posto isto, quais serão as razões? Menor solidariedade? Efeitos da crise financeira mundial? Enfraquecimento da atitude dos mais ricos face à problemática da ajuda ao desenvolvimento?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cereais e biocombustíveis


Verdadeiramente preocupante a evolução dos preços nacionais e internacionais dos cereais.

Arroz, trigo, milho, soja, girassol e outros. Componentes essenciais da dieta alimentar dos povos, ricos e pobres.

Preocupante o seu impacto negativo na ajuda aos pobres dos países menos desenvolvidos, em especial da África, dada a escassez da oferta disponível. Não só a elevada procura para o consumo alimentar mas de igual forma para a produção dos biocombustíveis (em especial do biodiesel) são alguns factores desta escalada.

Preocupante e determinante para um certo equilibrio social. Se por um lado põe em causa a estabilidade social (crispação pela degradação do nível mais básico da vida - a alimentação e o sustento básico das familias) por outro lado põe já em causa a validade dos modelos de produção energética alternativa através dos biocombistíveis. Como será o desenlace desta questão?

terça-feira, 4 de março de 2008

Talento em Portugal


Está na ordem do dia falar-se em talento, na retenção de talento ou na identificação e recrutamento de pessoas com talento. Talento passou recentemente a fazer parte do léxico de muitos empresários, gestores, políticos ou outros opinion makers.

É bonito e importante falar em talento. Para se parecer talentoso. Se calhar é até chic ou muito in falar daquele de uma forma sofisticada como sofisticados parecem ser aqueles que são possuidores de talento. Claro são talentosos!

Mas exigir talento ou pessoas talentosas não passa de uma falácia e hoje em dia de um lugar comum. Quem são os talentosos? Nós? Eles? Quem somos nós? E quem são eles? E o que é o talento? Formação? Experiência? Atitude? Capacidade inata de fazer algo melhor e com mais competência a um nível de qualidade e eficiência que outros não conseguem? Ou o fenómeno da simples cunha? Talvez importasse definir claramente o que se entende por talento.

Seria igualmente relevante perceber porque se fala hoje tanto em talento? Dão os empresários apoio ou oportunidades aos talentosos? Aos jovens licenciados de elevado potencial, mediante a oferta de empregos qualificados e remunerados na justa medida? Àqueles que são ou podem vir a ser verdadeiramente talentosos? Oferecem-lhes boas expectativas de carreira, possibilidade de afirmação e realização pessoal e perspectivas de evolução, amadurecimento pessoal e profissional? Capacidade de virem a ter uma vida própria? Se sim, porque observamos então uma fuga sistemática e preocupante destes jovens talentos lá para fora, onde, por exemplo na Espanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda ou EUA os recebem, talentosos, de braços abertos? Colocando a sua sabedoria e talento ao serviço das concorrentes instituições europeias e de outras partes do mundo?

E que dizer daqueles licenciados, profissionais de diferentes áreas, que já deram prova do seu talento e experiência que neste momento se encontram na fila do desemprego porque os talentosos empresários resolveram por em prática com algum talento programas de downsizing das suas empresas de modo a manterem só para si os seus talentosos resultados?

Ou será que quando falam (e se fala) em talento apenas se pretende fingir que se fala dos outros não se pretendendo outra coisa que não seja demonstrar e exprimir com uma vaidade subentendida que talentosos são eles (somos nós) porque, claro está, só exigem e procuram os serviços dos talentosos? Complexo não?

É extraordinário que num país como Portugal onde as carências em termos de conhecimento, formação e talento são tão vincadas, assistamos ao fenómeno de sujeitarmos mais de 65 mil licenciados ao desemprego. E que empresas em áreas tecnológicas nos digam que têm que recrutar centenas de jovens talentosos noutros países uma vez que estes não existem em Portugal. Quem sabe ainda algum destes jovens e talentosos emigrantes terá a sorte de ser recrutado na Alemanha ou na Holanda como jovem talento para trabalhar em Portugal.